A bravura, espírito democrático e a política, ao que parece, nasce com alguns matoenses. Exemplo disso é Eurípedes de Aguiar, nascido em Matões, foi governador do Piauí. Certo episódio lhe rendeu prisão, por externar o que pensava.
Este caso aconteceu em Teresina, Piauí:
Leônidas Melo, interventor que governou o Piauí sob a ditadura de Getúlio Vargas, foi ao Rio. O chefe de Polícia, Evilásio Vilanova, resolveu preparar uma surpresa para seu retorno. Arrebanhou pelo interior do estado 50 cavalos, improvisou uma cavalaria da Polícia Militar e se plantou na entrada de Teresina. Quando Leônidas Melo chegou, fez-se a Guarda da Honra montada e tocaram todos para o Palácio de Karnak. Em frente, morava Eurípedes de Aguiar, na época, ex-governador, ex-senador e inimigo da Ditadura. Estava na janela e passa o cortejo.
- – O que é que o senhor acha, doutor Eurípedes ?
- – “É muito cavalo para um égua só”, disse.
Foi para cadeia, mas todo Piauí sabe a frase.
O vasto currículo de Eurípedes diz que o mesmo foi poeta, jornalista e médico com doutorado em Paris (França). Começou sua carreira política em Floriano (PI). Foi eleito Governador do Piauí em 1916 e a seguir deputado estadual (1920-1923). Senador (1924-1930) durante a República Velha, cassado pela Ditadura Vargas. Após a redemocratização do país em 1945 ingressou na UDN, cujo lema do partido era: “o preço da liberdade é a eterna vigilância“. E o lema parece ter cravado o coração do velho Eurípedes…
Este ensaio contém pesquisa no livro Folclore Político, de Sebastião Nery.

